A moldagem é a etapa que transfere para o laboratório a informação exata do preparo, das margens e do contorno dos dentes. Quando essa transferência é precisa, o ceramista consegue construir uma peça com adaptação marginal justa, perfil de emergência correto e espessura compatível com o que foi planejado. Quando não é, a peça chega com degrau, sobrecontorno, falta de assentamento ou necessidade de ajustes que comprometem o resultado.
No Protocolo Marcelo Borille, a moldagem não é um passo burocrático entre o preparo e o laboratório. É uma etapa clínica com escolhas técnicas deliberadas: tipo de material, técnica de impressão, número de passos e, quando indicado, escaneamento digital. Cada escolha impacta diretamente o que o ceramista vai receber e, por consequência, o que o paciente vai usar.
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Em restaurações convencionais (coroas, por exemplo), pequenas imprecisões de moldagem podem ser compensadas pela espessura do material ou pelo cimento. Em laminados cerâmicos, não. A peça tem espessura de 0,3 a 0,7 mm. Qualquer erro de leitura na margem — mesmo de décimos de milímetro — se traduz em:
Por isso, a precisão da moldagem é diretamente proporcional à qualidade da peça final. O ceramista só pode ser tão bom quanto a informação que recebe.
Para construir uma lente com adaptação e estética adequadas, o ceramista precisa que a moldagem reproduza com fidelidade:
Quando qualquer uma dessas informações se perde na moldagem, o ceramista trabalha com suposições. E suposição, em cerâmica de precisão, é o início do problema.
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Quando a moldagem é feita com silicone de adição (polivinilsiloxano), existem duas técnicas principais para capturar o preparo com material pesado (putty) e leve (wash). Essa escolha técnica não é detalhe — ela muda a qualidade da leitura da margem cervical.
Na técnica de dupla mistura simultânea, o material pesado e o leve são aplicados ao mesmo tempo: o pesado carregado na moldeira e o leve injetado sobre os preparos. Os dois polimerizam juntos, em um único passo.
Essa técnica é rápida e funciona bem para muitos tipos de restauração. Mas em laminados cerâmicos, ela tem limitações importantes:
O resultado pode ser uma moldagem que parece boa no geral, mas que não reproduz o término cervical com a nitidez que o ceramista precisa para uma peça de 0,3 mm de espessura.
Na técnica de dupla moldagem com reembasamento, o processo acontece em dois passos separados:
Passo 1: a moldeira é carregada com material pesado (putty) e levada à boca para registrar a forma geral dos preparos. Esse primeiro passo cria um “casquete” rígido que vai servir como moldeira individual.
Passo 2: após a polimerização do pesado, é criado alívio interno (espaço controlado) e o material leve (wash) é injetado sobre os preparos e dentro do casquete. A moldeira é reposicionada e o leve polimeriza sob pressão uniforme e controlada.
Por que essa técnica captura melhor o término cervical:
Essa técnica exige mais tempo e mais atenção. Mas o ganho em precisão marginal justifica cada minuto a mais, especialmente quando o ceramista vai trabalhar com peças de 0,3 a 0,5 mm na região cervical.
| Critério | Dupla Moldagem (reembasamento) | Dupla Mistura Simultânea |
| Número de passos | Dois (pesado primeiro, leve depois) | Um (único passo simultâneo) |
| Controle de pressão sobre o wash | Alto — casquete rígido distribui uniformemente | Variável — pesado pode comprimir o leve |
| Espessura do wash na cervical | Uniforme e controlada pelo alívio | Variável e potencialmente muito fina |
| Nitidez do término cervical | Superior — leve flui sem compressão | Pode ser comprometida pela pressão hidráulica |
| Risco de bolhas na margem | Menor | Maior |
| Tempo clínico | Maior — dois tempos de polimerização | Menor — uma única polimerização |
| Indicação em laminados cerâmicos | Preferência — precisão marginal crítica | Aceitável em restaurações com margem menos crítica |
O Protocolo Marcelo Borille utiliza um fluxo híbrido — analógico e digital conforme a necessidade do caso. O escaneamento intraoral pode ser utilizado em situações selecionadas, oferecendo vantagens como:
Mas o digital não substitui automaticamente o analógico em todos os casos. Existem situações em que a moldagem convencional com silicone de adição — especialmente na técnica de reembasamento — pode oferecer melhor resultado na captura da margem cervical, sobretudo quando o término está subgengival ou quando a gengiva ainda está em fase de estabilização pós-retracamento.
A decisão entre analógico, digital ou combinação dos dois é feita caso a caso, com base na posição da margem, na saúde gengival, na complexidade do caso e no fluxo de produção do laboratório parceiro.
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Para que o material de moldagem (ou o scanner) consiga registrar o término cervical completo, é necessário que a margem do preparo esteja visível e acessível. Como o chanfro geralmente está posicionado na altura da gengiva ou levemente subgengival, é preciso realizar afastamento gengival antes da moldagem.
Isso é feito com fios retratores posicionados no sulco gengival, que afastam delicadamente o tecido e criam espaço para o material leve fluir até a margem. O afastamento deve ser:
Sem afastamento adequado, mesmo a melhor técnica de moldagem não consegue registrar a margem cervical completa. E sem margem completa, o ceramista não tem como construir uma borda precisa.
Além de transferir a anatomia do preparo, a moldagem comunica ao ceramista decisões clínicas que não estão escritas em nenhum formulário:
Um ceramista experiente “lê” o modelo de trabalho como um mapa. Se a moldagem é nítida, ele entende exatamente o que foi feito e o que precisa entregar. Se é borrada, imprecisa ou com margens interrompidas, ele trabalha no escuro — e o resultado reflete isso.
No Protocolo Marcelo Borille, a comunicação com o laboratório não termina na moldagem. Ela inclui fotografias clínicas, mapa de cor, preferências de translucidêz, referências do mock-up e discussão do caso quando necessário. Mas tudo começa por uma moldagem que merece ser lida.
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Na maioria dos casos, não. O processo de moldagem em si não é doloroso. O afastamento gengival com fio retrator pode causar leve desconforto, mas é rápido e bem tolerado. Se o paciente tiver sensibilidade nos preparos, a anestesia local pode ser utilizada.
A moldagem convencional usa silicone de adição em moldeira. A digital usa um scanner intraoral que captura imagens em 3D. As duas podem produzir bons resultados. A escolha depende do caso, da posição da margem e do fluxo de trabalho com o laboratório.
Porque na dupla moldagem (reembasamento), o material leve flui sobre o preparo sem ser comprimido pelo pesado. Isso garante espessura uniforme do wash e registro mais nítido do término cervical — a região mais crítica para adaptação dos laminados.
O ceramista recebe informação imprecisa e a peça pode chegar com degrau na margem, sobrecontorno, falta de assentamento ou necessidade de ajustes internos. Em casos graves, a moldagem precisa ser refeita antes de prosseguir.
Sim, na maioria dos casos. Após o preparo e o afastamento gengival, a moldagem é realizada na mesma sessão. Em seguida, são confeccionados os provisórios e o modelo é enviado ao laboratório.
Normalmente, a moldagem definitiva é feita uma vez, após o preparo. Em alguns casos, pode haver moldagem de estudo antes do preparo e nova moldagem se houver necessidade de ajuste. O número exato depende da complexidade do caso.
A moldagem é a ponte entre o preparo feito pelo dentista e a cerâmica construída pelo ceramista. Quando essa ponte é sólida, nítida e fiel ao que foi planejado, a peça encaixa. Quando não é, o resultado depende de improviso e compensação.
No Protocolo Marcelo Borille, a técnica de dupla moldagem com reembasamento é a preferência para laminados cerâmicos porque prioriza a precisão na região cervical — onde a adaptação marginal define saúde gengival, estética de transição e longevidade da interface adesiva. O fluxo digital entra quando o caso se beneficia, mas a decisão é sempre clínica, não comercial.
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