O preparo dental para lentes de porcelana é o desgaste controlado da superfície do dente que cria espaço para a cerâmica ter espessura adequada, adaptação precisa e emergência natural da margem gengival. Cada região do dente — cervical, terço médio e incisal — recebe um nível diferente de redução, porque a espessura do esmalte varia e a necessidade estética também. Quando esse preparo é feito com critério, o ceramista consegue construir uma peça com volume, cor, translucidêz e contorno compatíveis com um dente natural.
A página sobre se o desgaste é necessário ou não já existe no site. Esta página explica como ele é feito quando é indicado, e por que cada decisão técnica impacta o resultado final.
Para entender primeiro se o preparo é necessário no seu caso: precisa desgastar os dentes?
O preparo não é feito para “limpar o dente” ou “fazer caber” a lente de qualquer jeito. Ele existe porque a cerâmica precisa de espaço físico mínimo para ter:
Em resumo: o preparo é a comunicação entre o dentista e o ceramista. Quando bem feito, traduz o planejamento em espaço físico que a cerâmica precisa para ser bonita, resistente e invisível.
O dente anterior não é uma superfície plana. Ele tem curvatura, variação de espessura de esmalte e transições anatomômicas que mudam de cervical para incisal. Por isso, o preparo não é uniforme — cada região recebe um nível de redução diferente.
A região cervical é a margem da lente — o ponto onde a cerâmica encontra o dente e, logo acima, a gengiva. É a área mais crítica do preparo porque define:
A espessura do esmalte na região cervical é a menor de todo o dente — em torno de 0,3 a 0,5 mm. Por isso, o desgaste nessa região precisa ser mínimo e extremamente controlado para não expor dentina desnecessáriamente. A literatura é consistente em mostrar que a adesão em esmalte oferece resultados superiores à adesão em dentina para laminados cerâmicos.
No Protocolo Marcelo Borille, o término cervical é feito em chanfro — um desgaste suave e arredondado que cria uma linha de acabamento definida sem ângulos vivos. O chanfro oferece:
A profundidade do chanfro na cervical costuma ser de 0,3 a 0,5 mm, sempre com objetivo de permanecer dentro do esmalte. Quando o preparo é guiado pelo mock-up, o desgaste segue a referência do planejamento e não uma medida genérica.
O terço médio é a área de maior convexidade vestibular do dente. Aqui a espessura do esmalte é maior (0,6 a 1,0 mm), o que permite um desgaste um pouco mais generoso sem risco de atingir dentina na maioria dos casos.
O preparo nessa região define:
A redução no terço médio costuma ficar em torno de 0,5 a 0,7 mm, variando conforme a necessidade de correção de cor e volume do caso.
A incisal é a região que mais varia de caso para caso. É onde a espessura do esmalte é maior (1,0 a 2,0 mm), mas também onde incidem as forças de mordida anterior e onde a estética é mais perceptível.
No Protocolo Marcelo Borille, a abordagem incisal prioriza o recobrimento da borda — a lente envolve o topo do dente e se estende levemente para palatino, criando uma junção de topo (butt joint). Essa escolha é feita porque:
A redução incisal costuma ser de 0,5 a 1,5 mm, dependendo de quanto comprimento o caso precisa e da anatomia original do dente. A decisão final é guiada pelo mock-up, não por um número fixo.
| Região | Esmalte disponível | Redução típica | Função do preparo | Risco se excessivo |
| Cervical | 0,3–0,5 mm | 0,3–0,5 mm (chanfro) | Definir margem, emergência e adaptação | Exposição de dentina, piora da adesão |
| Terço médio | 0,6–1,0 mm | 0,5–0,7 mm | Espaço para corpo e cor da cerâmica | Sobrecontorno se insuficiente, perda de esmalte se excessivo |
| Incisal | 1,0–2,0 mm | 0,5–1,5 mm (com cobertura) | Translucidêz, resistência e forma do topo | Fragilidade se sub-dimensionada, sensibilidade se profunda |
Um dos princípios do Protocolo Marcelo Borille é que o preparo nunca acontece às cegas. Antes de qualquer desgaste, o planejamento já definiu a forma desejada, o volume final e os limites de correção. O mock-up é provado em boca, validado com o paciente e só então serve como referência para o preparo.
Na prática, isso significa que:
Saiba mais: planejamento da lente de contato dental
A literatura sobre laminados cerâmicos é consistente em um ponto: preparos que se mantêm predominantemente em esmalte apresentam melhores taxas de sobrevivência, melhor adesão e menor risco de sensibilidade pós-operatória do que preparos com grande exposição dentinária.
Estudos publicados em periódicos como Clinical Oral Investigations e Journal of Prosthetic Dentistry mostram que o risco de fratura aumenta quando a cerâmica é aderida a substratos com maior proporção de dentina. A razão é que o esmalte oferece melhor adesão ao condicionamento ácido e ao protocolo adesivo, além de ter módulo de elasticidade mais compatível com a cerâmica.
Por isso, o objetivo do preparo não é “remover esmalte”. É remover apenas o necessário para criar espaço, mantendo o máximo de esmalte como substrato de adesão. Quando o caso exige desgaste que ultrapassa o esmalte, técnicas como o immediate dentin sealing podem ser utilizadas para proteger a dentina exposta antes da moldagem.
Saiba mais: cimentação da lente de contato dental
Nem todo caso exige preparo em todas as regiões. Em situações selecionadas, a lente pode ser cimentada com desgaste mínimo ou mesmo sem desgaste, especialmente quando:
Mas é importante entender que “sem preparo” não é sempre a melhor opção. Em muitos casos, um preparo mínimo e bem guiado produz resultado mais natural, com melhor perfil de emergência e menor risco de sobrecontorno do que uma abordagem totalmente aditiva.
Saiba mais: precisa desgastar os dentes?
Na maioria dos casos, não. Como o desgaste costuma ser limitado ao esmalte, muitos pacientes passam pela etapa sem necessidade de anestesia. Quando há necessidade de redução mais ampla, a anestesia local é utilizada para garantir conforto.
Depende da região: cerca de 0,3 a 0,5 mm na cervical, 0,5 a 0,7 mm no terço médio e 0,5 a 1,5 mm na incisal. A redução exata é definida pelo planejamento e pelo mock-up, não por um número fixo.
É o formato do desgaste na margem da lente, próximo à gengiva. O chanfro cria uma linha de acabamento suave e arredondada que permite ao ceramista construir a borda da cerâmica sem degrau, com emergência natural e sem acúmulo de biofilme.
Porque a cobertura incisal permite ao ceramista criar translucidêz, detalhes naturais e resistência mecânica na borda. Sem cobertura, pode haver interface visível no topo do dente e maior risco de lasca.
Quando há exposição de dentina, a adesão tende a ser menos favorável e o risco de sensibilidade aumenta. Por isso, o objetivo é sempre manter o preparo predominantemente em esmalte. Quando isso não é possível, técnicas como immediate dentin sealing podem ser usadas para proteger o substrato.
Antes. O mock-up é a simulação do resultado final provada em boca. Ele serve como guia para o preparo — o desgaste é feito com referência no planejamento, não por estimativa.
O preparo dental para laminados cerâmicos não é um passo genérico. É uma etapa técnica que traduz o planejamento em espaço físico para o ceramista trabalhar. Quando o chanfro cervical é bem definido, o terço médio respeita o volume necessário e a incisal é preparada para receber cobertura, o ceramista tem condições de construir uma peça que se integra ao dente como se fizesse parte dele.
No Protocolo Marcelo Borille, o preparo nunca é improvisado. Ele é guiado pelo mock-up, limitado ao esmalte sempre que possível e executado com o objetivo de dar ao ceramista exatamente o que ele precisa para entregar naturalidade, resistência e longevidade.
Para entender o tratamento completo: lente de contato dental em Porto Alegre