A limpeza profissional em dentes com lentes de porcelana exige protocolo específico. Nem todo método de profilaxia usado em dentes naturais é seguro para superfícies cerâmicas. O uso de instrumentos, pós abrasivos e técnicas inadequadas pode danificar o glaze da porcelana, aumentar a rugosidade superficial e favorecer acúmulo de biofilme — exatamente o oposto do que a profilaxia deveria fazer.
No Protocolo Marcelo Borille, a profilaxia de manutenção em laminados cerâmicos segue critérios específicos de seleção de equipamento, tipo de pó abrasivo e confirmação de remoção completa de biofilme com revelador reagente à luz ultravioleta. Não é uma limpeza genérica. É um procedimento calibrado para preservar o tratamento.
Para entender o tratamento de forma mais ampla: lente de contato dental em Porto Alegre
A superfície da porcelana odontológica é glazeada — possui uma camada de acabamento que confere brilho, lisura e resistência à adesão bacteriana. Quando essa camada é danificada por instrumentação agressiva ou pós abrasivos inadequados, a superfície perde lisura, fica mais rugosa em escala microscópica e passa a reter mais biofilme do que antes da limpeza.
Isso significa que uma profilaxia mal conduzida pode piorar a condição da lente em vez de preservá-la. Por isso, três decisões técnicas precisam ser tomadas com critério:
Existem dois tipos principais de instrumentos vibratórios usados na profilaxia profissional: os escaladores sônicos e os ultrasônicos (que podem ser magnetostritivos ou piezoeletétricos). Ambos removem cálculo e biofilme, mas se comportam de maneira diferente sobre superfícies cerâmicas.
Os escaladores ultrasônicos operam em frequências mais altas e com maior energia vibratória. Isso os torna eficientes para remoção de cálculo em dentes naturais, mas potencialmente agressivos quando usados diretamente sobre porcelana ou nas margens dos laminados cerâmicos.
A literatura odontológica documenta que o uso inadequado de ultrassom sobre porcelana pode causar microfraturas na margem das lentes, lascamento do glaze, aumento de rugosidade superficial e comprometimento da interface adesiva. O tipo piezoeletrico, especificamente, exige mais habilidade técnica porque a ponta se movimenta de forma mais direcional e concentrada.
Os instrumentos sônicos operam em frequência menor e com padrão de vibração mais amplo e orbital. Isso os torna mais suaves sobre superfícies cerâmicas, com menor risco de dano ao glaze e às margens dos laminados.
No protocolo do consultório, o instrumento sônico é a preferência para remoção de depósitos em regiões próximas às lentes de porcelana. Quando há necessidade de ultrassom em áreas distantes dos laminados (molares posteriores, por exemplo), ele pode ser usado com ajuste de potência e técnica controlada, desde que a ponta nunca toque diretamente a superfície cerâmica.
| Critério | Sônico | Ultrassom |
| Frequência | Menor (3-8 kHz) | Maior (25-50 kHz) |
| Padrão de vibração | Orbital, mais amplo e disperso | Linear ou elíptico, mais concentrado |
| Risco para porcelana | Baixo — mais seguro para margens e superfícies glazeadas | Moderado a alto — pode lascar margens e danificar glaze |
| Indicação em laminados | Preferência para áreas próximas às lentes | Usar com cautela, longe das margens cerâmicas |
| Eficiência em cálculo pesado | Menor — mais indicado para depósitos leves a moderados | Maior — mais eficiente em cálculo aderido |
O jato de profilaxia (air polishing) é uma das formas mais eficientes de remover biofilme e pigmentação superficial. Mas o tipo de pó utilizado faz toda a diferença quando existem laminados cerâmicos na boca.
O bicarbonato de sódio é o pó mais tradicional e amplamente disponível. É eficiente para remoção de manchas e biofilme, mas suas partículas são maiores e mais abrasivas (em torno de 40-65 μm). Estudos in vitro demonstram que o bicarbonato aumenta significativamente a rugosidade superficial de cerâmicas e compósitos, criando cratéras visíveis em microscopia eletrônica de varredura.
Na prática clínica, isso significa que o uso de bicarbonato sobre lentes de porcelana pode comprometer o glaze, aumentar a retenção de biofilme e acelerar a perda de brilho e textura superficial ao longo das sessões de manutenção.
A glicina é um aminoácido usado como pó de baixa abrasividade para air polishing. Suas partículas são menores (14-25 μm), mais arredondadas e se fragmentam com mais facilidade ao impactar a superfície. Pesquisas publicadas em periódicos indexados mostram que a glicina produz rugosidade significativamente menor que o bicarbonato em cerâmicas feldspáticas, compósitos e superfícies de titânio.
Um estudo avaliando especificamente cerâmica vítrea e resinas nanoparticuladas concluiu que a glicina preservou a lisura superficial em níveis estatísticamente semelhantes aos controles não tratados, enquanto o bicarbonato aumentou a rugosidade de forma significativa.
No consultório, a glicina é o pó de escolha para todas as sessões de profilaxia em pacientes com laminados cerâmicos. É eficaz na remoção de biofilme sem comprometer a integridade da porcelana.
| Critério | Glicina | Bicarbonato de Sódio |
| Tamanho de partícula | 14-25 μm | 40-65 μm |
| Abrasividade | Baixa | Alta |
| Efeito na rugosidade da cerâmica | Mínimo — preserva glaze e lisura | Significativo — aumenta rugosidade e cria microdefeitos |
| Risco de dano ao glaze | Baixo | Alto |
| Eficiência na remoção de biofilme | Eficiente para biofilme e pigmentação leve | Mais eficiente para manchas pesadas, mas com custo superficial |
| Indicação em laminados | Primeira escolha — seguro e eficaz | Contraindicado sobre porcelana |
| Evidência científica | Estudos in vitro e revisões confirmam segurança | Estudos mostram dano superficial mensurável |
A etapa final da profilaxia no Protocolo Marcelo Borille não depende apenas da visão clínica. Após a remoção mecânica do biofilme com jato de glicina e instrumentação sônica, é aplicado um revelador de placa que reage à luz ultravioleta.
O revelador funciona corando resíduos de biofilme que permanecem aderidos à superfície dental e às margens dos laminados. Quando iluminado com luz UV, qualquer remanescente de placa se torna fluorescente e visível, mesmo em regiões que pareciam limpas à inspeção visual convencional.
Essa etapa transforma a profilaxia de um procedimento subjetivo (“parece limpo”) em um procedimento confirmatório (“está confirmadamente limpo”). Para laminados cerâmicos, onde a margem é a região mais crítica para longevidade, essa precisão faz diferença real.
A sessão de profilaxia em pacientes com laminados cerâmicos segue uma sequência definida:
Essa sequência não é apenas uma lista de passos. É um raciocínio clínico que prioriza preservação da cerâmica, confirmação da remoção e educação do paciente em cada retorno.
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Alguns procedimentos rotineiros em profilaxias convencionais são contraindicados ou exigem adaptação quando o paciente possui lentes de porcelana:
O ponto central é simples: quem tem lentes de porcelana precisa de profilaxia, mas de uma profilaxia pensada para preservar, não para agredir.
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A recomendação padrão é retorno a cada 6 meses para profilaxia e revisão. Em pacientes com maior acúmulo de biofilme, histórico de doença periodontal ou bruxismo, o intervalo pode ser reduzido para 4 meses conforme avaliação clínica.
O mais importante não é apenas a frequência, mas a qualidade da sessão. Uma profilaxia semestral com protocolo adequado protege mais do que retornos frequentes com instrumentação inadequada.
Pode, se for feita com instrumentos ou materiais inadequados. Ultrassom direto na porcelana, jato de bicarbonato e pastas abrasivas podem comprometer o glaze e as margens. Com protocolo adequado (sônico, glicina, flúor neutro), a profilaxia é segura e preserva o tratamento.
Porque a glicina tem partículas menores e menos abrasivas. Estudos mostram que o bicarbonato aumenta a rugosidade de superfícies cerâmicas, enquanto a glicina preserva a lisura em níveis semelhantes ao controle não tratado.
É um corante aplicado sobre os dentes que, quando iluminado com luz ultravioleta, torna visível qualquer resíduo de biofilme que não foi removido pela limpeza mecânica. Permite confirmar que a profilaxia foi realmente completa.
Pode, desde que o profissional saiba adaptar o protocolo para superfícies cerâmicas. O ideal é informar que você possui laminados e confirmar que não serão usados ultrassom sobre a porcelana, bicarbonato como pó de jato nem flúor acidulado.
Não é proibido de forma absoluta. Ele pode ser usado em regiões distantes dos laminados (dentes posteriores, por exemplo) com ajuste de potência e técnica controlada. O que deve ser evitado é o contato direto da ponta com a superfície cerâmica e com as margens das lentes.
Sim, a glicina é eficiente na remoção de pigmentação superficial leve a moderada. Para manchas mais intensas em dentes naturais adjacentes, outras abordagens podem ser consideradas sem envolver a superfície das lentes.
O padrão recomendado é a cada 6 meses. Pacientes com maior acúmulo de biofilme, bruxismo ou histórico periodontal podem precisar de retornos a cada 4 meses. O intervalo ideal é definido na avaliação clínica.
A profilaxia profissional em dentes com laminados cerâmicos não é uma limpeza comum com nome diferente. É um procedimento que exige instrumentação selecionada (sônico sobre ultrassom), pó abrasivo compatível (glicina sobre bicarbonato) e confirmação de resultado (revelador UV sobre inspeção visual).
No Protocolo Marcelo Borille, a manutenção não é um detalhe pós-tratamento. É parte do tratamento. E a forma como a profilaxia é conduzida define se a porcelana vai manter brilho, lisura e integridade ou se vai perder qualidade a cada sessão de limpeza.
Para entender como funciona o tratamento completo: lente de contato dental em Porto Alegre