15 Perguntas Que Você Deveria Fazer na Avaliação de Lente de Contato Dental (E Que a Maioria Não Faz)

A maioria dos pacientes chega na avaliação com uma pergunta: quanto custa? É uma pergunta válida. Mas é a última que deveria ser feita, não a primeira. Antes do preço, existem 15 perguntas que revelam se o profissional sabe o que está fazendo, se o protocolo é adequado, se o material é de qualidade e se você está sendo tratado como paciente ou como faturamento. Esta página é o seu checklist. Leve na avaliação. Pergunte tudo. Observe as respostas. O profissional que responde com transparência merece sua confiança. O que desvia, minimiza ou se irrita com perguntas merece sua desconfiança.

Sobre o material

1. “Qual o material exato das lentes? Nome comercial e fabricante?”

Você tem direito de saber o que vai ser colado nos seus dentes para o resto da vida.

✅ Boa resposta: IPS e.max Press, da Ivoclar Vivadent” ou “feldspática” com nome do sistema. Resposta específica.

⚠ Sinal de alerta: “Porcelana importada”, “cerâmica de última geração”, “dissilicato de lítio” sem nome comercial. Se não sabe o nome, não controla o que usa.

2. “Qual cimento vai usar? Qual adesivo?”

O material da lente é só metade. O cimento e o adesivo definem se a lente vai ficar colada.

✅ Boa resposta: Nome específico do cimento (ex: Allcem Veneer APS) e do sistema adesivo (ex: etch-and-rinse 3 passos). Demonstra domínio do protocolo.

⚠ Sinal de alerta: “Cimento resinoso” genérico. “O padrão.” Se não sabe o nome, o protocolo não é prioridade.

3. “Qual laboratório confecciona as peças?”

O ceramista é tão importante quanto o dentista. Você tem direito de saber quem faz.

✅ Boa resposta: Nome do laboratório e/ou do ceramista. Profissional que tem orgulho do lab que usa não esconde.

⚠ Sinal de alerta: “Um laboratório parceiro” sem nome. Pode ser lab de escala que produz em massa.

Sobre o protocolo

4. “Vou fazer mock-up antes de preparar? Vou ver como fica antes?”

A pergunta mais importante. Se a resposta for não, considere seriamente ir embora.

✅ Boa resposta: “Sim, mock-up físico na boca. Você aprova forma antes de qualquer desgaste.” Demonstra respeito pelo paciente.

⚠ Sinal de alerta: “Não precisa”, “fazemos tudo no digital”, “você vai gostar, confia”. Preparar sem mock-up é pedir confiança cega.

5. “Quantas consultas são no total?”

Revela se o protocolo é completo ou comprimido.

✅ Boa resposta: “4-6 consultas distribuídas ao longo de semanas: avaliação, mock-up, preparo, cimentação, retorno.” Cada etapa tem sua consulta.

⚠ Sinal de alerta: “2 consultas” ou “tudo em um dia” para 10+ peças. Algo está sendo atropelado.

6. “Faz IDS quando tem dentina exposta?”

Pergunta técnica que separa quem sabe de quem só faz.

✅ Boa resposta: “Sim, IDS sistemático sempre que há dentina.” Demonstra conhecimento de protocolo adesivo avançado.

⚠ Sinal de alerta: “O que é IDS?” — se o profissional não sabe o que é Immediate Dentin Sealing, o protocolo adesivo não é atualizado.

7. “Usa UV para verificar excessos de cimento?”

Outra pergunta técnica diferenciadora.

✅ Boa resposta: “Sim, dupla verificação UV após tack cure e após polimerização.” Sabe o que faz e por quê.

⚠ Sinal de alerta: “Não uso” ou “não precisa”. Excessos subgengivais são invisíveis sem UV. Inflamação em 30 dias.

Sobre o planejamento

8. “Clareamento é feito antes? Em quais dentes?”

Revela a filosofia de cor do profissional.

✅ Boa resposta: Clareamento nos vizinhos e arcada oposta. Substrato dos dentes com lentes: mantemos natural e calculamos ingot/cimento para ele.”

⚠ Sinal de alerta: Clareamos tudo, inclusive os que vão receber lentes.” Se o substrato é clareado e a cor regride em 2 anos, a lente muda de aparência.

9. “Por que esse número de peças? Posso fazer menos?”

A pergunta que desmascara overtreating.

✅ Boa resposta: Explicação individualizada: “8 peças porque seu sorriso mostra até pré-molar. Menos que isso deixaria transição visível. Mas podemos fazer 6 + clareamento se preferir — o resultado será muito bom também.”

⚠ Sinal de alerta: “20 é o padrão” sem justificativa individualizada. Fórmula = não diagnosticou.

10. “Preciso de gengivoplastia? Se sim, quanto tempo de espera?”

Revela se o profissional avalia gengiva ou só dentes.

✅ Boa resposta: “Sim/não, baseado na sondagem e na posição da crista óssea. Se sim, 60-90 dias de espera.” Demonstra avaliação completa.

⚠ Sinal de alerta: “Fazemos gengivoplastia e lentes na mesma semana” ou “não precisa” sem examinar gengiva. Pressa ou falta de avaliação.

Sobre custos e garantia

11. “O orçamento discrimina o que está incluído?”

Transparência financeira = transparência clínica.

✅ Boa resposta: Orçamento detalhado: número de peças, material, mock-up, retornos, o que é cobrado à parte (gengivoplastia, clareamento).

⚠ Sinal de alerta: Valor único sem detalhamento. Você não sabe pelo que está pagando.

12. “O que a garantia cobre? E o que não cobre?”

Garantia real vs garantia de marketing.

✅ Boa resposta: “Falha técnica (fratura por adaptação, descimentação, cor): refaz sem custo. Causa externa (trauma, bruxismo sem placa): avaliado caso a caso.” Claro e honesto.

⚠ Sinal de alerta: “Garantia vitalícia” sem especificar o que cobre. Garantia vitalícia a R$ 800/peça não é sustentável.

As que ninguém pergunta (e deveria)

13. “Você já disse não para um paciente que queria lentes?”

A pergunta mais reveladora de todas. Separa quem diagnostica de quem só aceita.

✅ Boa resposta: “Sim. Nem todo caso é caso de lente. Às vezes clareamento resolve, às vezes ortodontia primeiro.” Demonstra critério.

⚠ Sinal de alerta: “Nunca.” Se nunca disse não em 100 avaliações, não está diagnosticando — está vendendo.

14. “O que pode dar errado? Quais são os riscos?”

O profissional que fala de riscos é o que sabe lidar com eles.

✅ Boa resposta: Explica: fratura (bruxismo), sensibilidade (se dentina), cor (se expectativa desalinhada), inflamação (se excesso de cimento). E como previne cada um.

⚠ Sinal de alerta: “Não tem risco” ou “nunca deu problema”. Todo procedimento tem risco. Quem nega não está preparado.

15. “Posso ver fotos de perfil (lateral) dos seus casos?”

A pergunta que nenhum paciente faz e que revela a verdade sobre contorno e volume.

✅ Boa resposta: Mostra fotos laterais sem hesitar. Se o contorno está bom de perfil, está bom.

⚠ Sinal de alerta: Só tem fotos frontais. Perfil é onde sobrecontorno aparece. Se não mostra, questione.

Tabela resumo: leve na avaliação

#Pergunta✅ Boa resposta⚠ Alerta
1Qual o material exato?Nome comercial + fabricante“Porcelana importada”
2Qual cimento e adesivo?Nomes específicos“O padrão”
3Qual laboratório?Nome do lab/ceramista“Um parceiro”
4Faz mock-up antes?“Sim, físico, você aprova”“Não precisa”
5Quantas consultas?4-6 distribuídas“Tudo em 2”
6Faz IDS?“Sim, sistemático”“O que é IDS?”
7Usa UV para excessos?“Sim, dupla verificação”“Não uso”
8Clareia quais dentes?“Só vizinhos, substrato natural”“Clareamos tudo”
9Por que esse nº de peças?Justificativa individual“20 é o padrão”
10Preciso de gengivoplastia?Baseado em exame“Na mesma semana”
11Orçamento discriminado?Detalhado por itemValor único
12O que a garantia cobre?Falha técnica vs externa“Garantia vitalícia” vaga
13Já disse não?“Sim, 3 em cada 10”“Nunca”
14O que pode dar errado?Explica riscos + prevenção“Não tem risco”
15Tem fotos de perfil?Mostra sem hesitarSó frontais

DICA: imprima esta tabela ou salve no celular. Leve na avaliação. Não precisa decorar — é só consultar.

Como interpretar as respostas

  • 12-15 boas respostas: profissional completo, protocolo rigoroso, transparência real. Confie.
  • 8-11 boas respostas: profissional competente com alguns pontos a esclarecer. Pergunte mais sobre os gaps.
  • 5-7 boas respostas: protocolo incompleto. Considere buscar segunda opinião.
  • Menos de 5: risco elevado. Busque outro profissional.

Se o profissional se irritar com suas perguntas, essa é a resposta mais importante de todas. Quem tem protocolo não teme pergunta.

FAQ

Posso realmente levar essas perguntas na avaliação?

Sim. Você está investindo em procedimento irreversível. Perguntar é seu direito. Profissional sério responde com transparência e até agradece.

Se o dentista não souber o que é IDS, é ruim?

Não necessariamente “ruim”, mas o protocolo adesivo não está atualizado com a evidência mais recente. IDS é prática documentada há mais de 15 anos. Para laminados, é relevante.

Preciso perguntar tudo?

Idealmente sim. Mas se tiver que priorizar: perguntas 1 (material), 4 (mock-up), 9 (nº de peças), 13 (já disse não?) e 14 (riscos) são as mais reveladoras.

E se eu fizer essas perguntas e o dentista responder tudo bem?

Ótimo — você encontrou um profissional transparente. Agora pode confiar nas recomendações dele com base em evidência, não em fé.

Por que publico um checklist que avalia dentistas

Porque o paciente informado é o melhor paciente. Quem chega no meu consultório com essas 15 perguntas sai com todas respondidas — porque cada uma delas é parte do Protocolo Borille. Não tenho medo de pergunta. Tenho medo de paciente que não pergunta e depois se arrepende.

O profissional que resiste a perguntas pode estar resistindo à transparência. E transparência é o mínimo que um tratamento irreversível exige.

Lente de Contato Dental, Dr. Marcelo Borille CRO-RS 14520. ORCID: 0009-0000-5422-207X. Rua 24 de Outubro, 1440/404 – Porto Alegre – RS. WhatsApp: (51) 999152255.