Casos Clínicos de Lente de Contato Dental

O Raciocínio Clínico Por Trás de Cada Sorriso

Antes e depois mostra o resultado. Não mostra o caminho. Esta página é diferente. Aqui você acompanha 3 casos reais — desde a queixa até o resultado final — com todas as decisões clínicas expostas: por que fiz gengivoplastia (ou não), por que pedi peça mais espessa em um dente específico, por que mudei a cor do cimento no dente com canal. O objetivo não é impressionar com fotos bonitas. É mostrar como penso.

Caso 1: C.M. — Sorriso gengival + diastemas + resinas antigas

PacienteMulher, 32 anos, sem comorbidades
Queixa“Meus dentes parecem curtos, tenho espaços e as restaurações estão amareladas”
Substrato (VITA)A2 (maioria) / A3 nos centrais (resinas antigas escurecidas)
Peças10 lentes (15 a 25) — e.max Press HT
Ajuste no dente 11 e 21Peça mais espessa (0,5-0,6 mm) + cimento A1 para compensar substrato A3
CimentoAllcem Veneer APS A1 (centrais) / Trans (demais)
Tratamentos préviosGengivoplastia com osteotomia + clareamento vizinhos/inferiores
Prazo total14 semanas

O que encontrei

Camila tinha três problemas sobrepostos: sorriso gengival por erupção passiva alterada (dentes pareciam curtos porque a gengiva não migrou), diastemas múltiplos entre anteriores e 4 restaurações de resina nos centrais e laterais com mais de 8 anos — amareladas e com margem visível. Substrato geral A2, mas os centrais estavam mais escuros (A3) por causa das resinas extensas e da dentina exposta por baixo. Oclusão estável, sem bruxismo. Sondagem: crista óssea a menos de 2 mm da margem nos centrais — erupção passiva alterada tipo 1A.

O dilema

Gengivoplastia era clara — mas a proximidade óssea exigia osteotomia, não gengivoplastia simples. Simples sem remover osso = recídiva. Osteotomia adicionou 100 dias ao prazo, mas garantiu estabilidade definitiva.

Segundo dilema: os centrais tinham substrato mais escuro (A3) que os demais (A2). A solução não foi trocar o ingot — o ingot foi HT para todas as peças. O ajuste foi feito de duas formas: peça mais espessa nos centrais (0,5-0,6 mm em vez de 0,3-0,4 mm dos demais) para isolar melhor o substrato, e cimento A1 (leve efeito clareador) nos centrais em vez de Trans nos demais. A maior espessura da cerâmica + cimento com cor neutralizou a diferença de substrato sem precisar mudar o ingot.

As decisões

  • Gengivoplastia com osteotomia: bisturi convencional, cinzel para osso nos centrais e laterais. Papilas preservadas rigorosamente.
  • Espera 100 dias: margem estabilizou. Contorno simétrico confirmado.
  • Clareamento: vizinhos + inferiores. Caseiro 16%, 3 semanas. Substrato dos dentes com lentes: NÃO clareado.
  • Ingot: e.max Press HT para TODAS as peças.
  • Espessura diferenciada: centrais 0,5-0,6 mm (substrato A3, precisa isolar mais). Demais 0,3-0,4 mm (substrato A2, HT funciona sem mascaramento).
  • Cimento diferenciado: centrais: Allcem APS A1 (neutraliza fundo A3). Demais: Allcem APS Trans (máxima transparência sobre A2).
  • IDS: nos centrais (dentina exposta após remoção das resinas antigas). Demais: 100% esmalte.

O resultado

Sorriso gengival corrigido, diastemas fechados, resinas substituídas. Proporção dos centrais de 0,65 para 0,78. Os centrais ficaram com a mesma leitura de cor dos demais — a combinação maior espessura + cimento A1 compensou o substrato A3 sem ninguém perceber diferença.

A lição

O ajuste para substratos diferentes não é feito trocando o ingot — é feito variando a espessura da peça e a cor do cimento. Isso mantém o mesmo sistema óptico (HT) em todas as peças e dá uniformidade ao conjunto, enquanto o ajuste fino acontece por baixo. O ingot é a constante; espessura e cimento são as variáveis.

Caso 2: M.R — Dente escurecido por canal + conóides + assimetria

PacienteHomem, 28 anos, sem comorbidades
Queixa“Meu dente da frente é escuro e os laterais são muito pequenos”
Substrato (VITA)A2 (maioria) / C3 no dente 11 (escurecido por canal)
Peças8 lentes (14 a 24) — e.max Press HT
Ajuste no dente 11Clareamento intracoronário prévio (C3→A3) + peça mais espessa (0,6-0,7 mm) + cimento OW
CimentoAllcem APS OW (dente 11) / Trans (demais)
Prazo total7 semanas

O que encontrei

Três problemas distintos: central 11 escurecido (C3) por endodontia pós-trauma aos 14 anos; laterais 12 e 22 conóides (microdontia — menores e cônicos); assimetria entre centrais (11 com margem gengival mais apical). Substrato geral A2. Oclusão estável, sem bruxismo, gengiva saudável.

O dilema

O dente 11 era C3 — muito escuro para mascarar só com HT na espessura padrão. Trocar o ingot para MO nesse dente resolveria o mascaramento, mas quebraria a uniformidade óptica do conjunto (MO tem comportamento de luz completamente diferente do HT). A estratégia foi escalonada:

  • Primeiro: clareamento intracoronário (peróxido de carbamida 37%, 3 sessões). Substrato de C3 para A3. O intracoronário tem estabilidade superior ao externo.
  • Segundo: peça mais espessa no 11 (0,6-0,7 mm em vez de 0,3-0,4 mm) para isolar mais o substrato residual A3.
  • Terceiro: cimento OW (opaque white) no 11 para efeito clareador adicional na interface.

Com essas três camadas de compensação (clareamento + espessura + cimento), o ingot se manteve HT em TODAS as peças. Resultado: uniformidade óptica no conjunto, sem o aspecto “apagado” que o MO daria no 11.

Os laterais conóides eram o oposto: substrato A2 saudável, sem necessidade de mascaramento. Preparo quase no-prep (adição de volume). HT + Trans = máxima naturalidade.

As decisões

  • Clareamento intracoronário: 3 sessões. C3 → A3. Estabilidade superior ao externo.
  • Clareamento externo: vizinhos + inferiores. Caseiro 16%, 2 semanas.
  • Ingot: e.max Press HT para TODAS as 8 peças.
  • Espessura: dente 11: 0,6-0,7 mm. Laterais conóides: 0,5-0,6 mm (adição de volume). Demais: 0,3-0,4 mm.
  • Cimento: dente 11: Allcem APS OW. Demais: Allcem APS Trans.
  • IDS: dente 11 (dentina exposta pela restauração endodôntica). Demais: esmalte.
  • Mock-up: foco na simetria dos centrais e proporção dos laterais.

O resultado

Dente 11 integrado ao sorriso — mesma leitura de cor dos demais. Laterais com anatomia real. A combinação clareamento intracoronário + espessura maior + cimento OW compensou o substrato sem trocar ingot. Uniformidade óptica mantida.

A lição

Dente escuro não significa trocar o ingot. Significa escalonar a compensação: clarear internamente (se possível), aumentar espessura e ajustar cor do cimento. Manter o mesmo ingot HT em todas as peças dá uniformidade que trocar ingot não dá.

Caso 3: Fernanda — Diastemas + resinas múltiplas + branco natural

PacienteMulher, 38 anos, sem comorbidades
Queixa“Quero fechar os espaços e trocar as resinas. Branco, mas natural”
Substrato (VITA)A2 uniforme (sem dentes escurecidos)
Peças8 lentes (13 a 23) — e.max Press HT
Espessura0,3-0,4 mm uniforme (substrato A2 homogêneo)
CimentoAllcem Veneer APS Trans (todas as peças)
Cor finalBL2
Prazo total5 semanas

O que encontrei

Diastemas múltiplos (hereditário, arcada ampla) e 6 resinas de diferentes épocas e cores. Sem problemas gengivais, sem bruxismo. Substrato A2 uniforme em todos os dentes. Oclusão estável. O caso ideal para laminados: substrato claro e homogêneo, gengiva saudável, expectativa realista (“branco, mas natural” = BL2).

O dilema

Sem dilema técnico. O desafio era estético: fechar diastemas sem criar dentes largos demais. A solução foi no enceramento: distribuir o volume entre 8 dentes, não concentrar nos centrais. Cada dente ganhou frações de milímetro, o conjunto fechou mantendo proporção.

Com substrato A2 uniforme, o protocolo foi o mais simples possível: ingot HT único, espessura padrão uniforme, cimento Trans em todas. Sem IDS (100% esmalte). Sem gengivoplastia. Sem variações de cimento. A sofisticação aqui não estava no material — estava no enceramento.

As decisões

  • Sem gengivoplastia: contorno simétrico, sem indicação.
  • Clareamento: vizinhos + inferiores apenas. Substrato A2 mantido natural.
  • Ingot: e.max Press HT BL2 para todas as peças.
  • Espessura: 0,3-0,4 mm uniforme. Substrato homogêneo não exige compensação.
  • Cimento: Allcem APS Trans em todas. Substrato claro + HT + Trans = máxima translucidêz.
  • Preparo: mínimo, 100% esmalte. Resinas removidas e substituídas pelo preparo. Sem IDS.
  • Mock-up: foco na distribuição proporcional do fechamento dos diastemas. Aprovado na primeira prova.

O resultado

Diastemas fechados com proporção preservada. BL2 com translucidêz real — não parece restauração. Espessura, cimento e ingot uniformes porque o substrato permitia. Fernanda descreveu como “os dentes que eu sempre quis”.

A lição

Quando o substrato é uniforme, o protocolo é simples: mesmo ingot, mesma espessura, mesmo cimento. A sofisticação não está em complicar — está em saber quando não complicar. O enceramento (distribuição proporcional do volume) foi o que fez a diferença neste caso, não o material.

O que os três casos têm em comum

  • Ingot HT em todas as peças: o ingot é a constante. Manter o mesmo sistema óptico dá uniformidade ao conjunto.
  • Ajuste por espessura e cimento — não por ingot: dente mais escuro = peça mais espessa + cimento com cor. Não troca de ingot.
  • Substrato natural preservado: clareamento só nos vizinhos. Ingot e cimento calculados para o substrato real.
  • Mock-up aprovado antes de preparar: em todos os casos, forma aprovada pelo paciente antes de qualquer desgaste.
  • Documentação fotográfica em todas as etapas: flash + polarizada em cada fase.
  • Protocolo adesivo consistente: etch-and-rinse 3 passos, IDS quando indicado, Allcem APS com UV.

O princípio: o ingot é a constante, espessura e cimento são as variáveis. Isso mantém uniformidade óptica no conjunto enquanto compensa diferenças individuais de substrato.

FAQ

Os casos são reais?

Sim. Realizados no consultório do Dr. Marcelo Borille em Porto Alegre, com autorização.

Por que não troca o ingot quando o dente é mais escuro?

Porque trocar ingot quebra a uniformidade óptica do conjunto. O ajuste é feito por espessura da peça (mais espessa isola mais o substrato) e cor do cimento (neutraliza o fundo). O ingot HT se mantém em todas as peças.

Qual a cor de substrato mais comum?

A2 na escala VITA é o substrato mais frequente nos pacientes do consultório.

Todo caso precisa de gengivoplastia?

Não. Caso 1 precisou. Casos 2 e 3 não. A indicação é clínica.

Posso usar cimentos diferentes no mesmo caso?

Sim. O ideal é o mesmo cimento em todas as peças (uniformidade). Quando um dente tem substrato diferente, a cor do cimento é ajustada nesse dente específico para compensar.

Próximo passo

Cada sorriso tem uma história clínica. A sua será diferente — mas o método será o mesmo: diagnóstico honesto, HT como padrão, ajuste fino por espessura e cimento, transparência em cada decisão. Na avaliação, começamos a escrever a sua.

Veja por que os resultados dos casos clínicos demonstram que a lente vale a pena

Lente de Contato Dental, Dr. Marcelo Borille CRO-RS 14520. ORCID: 0009-0000-5422-207X. Rua 24 de Outubro, 1440/404 – Porto Alegre – RS. WhatsApp: (51) 999152255.